sábado, 16 de julho de 2011

Capítulo 8 - Um último pedido

          - Bom dia mãe! Bom dia pai! E aí? Sobreviveram á noite? – perguntou Gabi, quando entrava no quarto da mãe.
            - Sim. Mas pelo jeito teve alguém que não passou a noite muito bem.
            - Como assim? Quem?
            - Um tal de Lucas Gabriel, deve ser aquele rapaz de quem você falou...
            - Sim, está tudo bem com ele? Com a mãe dele?
            - Não sei te dizer, ele entrou aqui no quarto com uma cara de desesperado procurando por você e quando eu disse que você não estava ele saiu xingando.
            - Melhor eu ir ver se aconteceu alguma coisa. Posso?
            - Claro que pode. Vamos orar por vocês!
            - Obrigada, eu acho que esse aí ainda vai precisar de muita oração.
            Gabriela saiu à procura dele, não o achou. Perguntou na recepção qual era o número do quarto da mãe dele, mas não sabia o nome da mãe dele. Percebeu que ele não havia dito o sobrenome dele, então essa também não seria uma alternativa. Orou. “Senhor, se for da tua vontade que eu ajude a esse rapaz e sua mãe de alguma maneira, me ajude a achá-los. Amém.” Mal ela tinha falado o amém e adivinha quem estava vindo pelo corredor? Não. Não era o Lucas. Mas era a enfermeira que estava cuidando da mãe dele. Ela levou Gabi para ver a mãe dele, ela acabou descobrindo que o nome dela é Maria Cecília. Chegando ao quarto dela, viu a situação da pobre senhora. O corpo dela quase nem aparecia, tinha faixas, curativos por tudo o corpo e onde não havia nada, a pele estava cheia de hematomas. Ainda havia pedaços de vidro no braço dela. Ela estava dormindo, mas percebendo a chegada de alguém, lentamente abriu os olhos e vendo Gabi abriu um sorriso no rosto, ou melhor, dizendo o mais perto de um sorriso que ela poderia chegar. Com esforço e com uma voz rouca e fraca falou:
            - Meu anjo! Como é o seu nome?
            - Gabriela. - Gabriela estava meio confusa, afinal essa senhora a beira da morte tinha um brilho nos olhos, parecia já conhecer Gabi.
            - Gabriela, a enviada de Deus! Até nome de anjo você tem. Sinta-se a vontade, sente-se. – a Você precisa me ajudar. O Senhor está me chamando para perto de Si. Não tenho mais muito tempo aqui, eu pedi ao Pai que me mandasse um anjo que pudesse cuidar do meu filho. Por favor, eu imploro, mostre o caminho da salvação para ele. Ele parece forte e duro por fora, mas eu o conheço como só uma mãe pode conhecer a um filho, ele é um amor de pessoa apenas precisa encontrar a vida. Depois que eu partir ele vai ficar furioso com Deus, mas, por favor, tente. Dê a ele a minha bíblia, lá eu deixei uma carta para ele e sublinhei os versículos mais importantes, pelos quais o Senhor me falou tanto. Cuide dele para mim, eu o amo tanto. Quero um dia me reencontrar com ele na casa do Pai.
            - Mãe, mãe, por favor, fica aqui comigo... - mas as palavras do filho que acabara de entrar, ela não escutava mais. Ele viu Gabi e ficou mais desesperado ainda -... É tudo culpa desse teu Deus. É tudo culpa dele. Ele não deveria ter feito isso, fazia tudo por Ele e... - não conseguia mais falar desandou a chorar. Ele chorou desesperadamente por vários minutos. Gabi apenas o abraçou. Não sabia o que poderia fazer. A enfermeira que acompanhou tudo indicou para Gabi levá-lo à sala de espera, oferecer algo para beber e deixá-lo chorar e desabafar. Mais tarde ela iria conversar com eles.
            Foi o que ela fez. Depois de 20 minutos Lucas se acalmou um pouco. A enfermeira perguntou sobre o pai dele, como ela poderia contatá-lo para dar a ele a notícia.
            - Aquele desgraçado, sem vergonha. Deveria apodrecer na cadeia isso sim. Ele não merece nada.
            - Mas alguém precisa cuidar da burocracia e tudo mais. – a enfermeira argumentou.
            - Eu cuido de tudo.
            - Me desculpe, mas com todo respeito não acho que você esteja em condições emocionais muito adequadas para cuidar disso.
            - Eu posso ajudar, se meu pai estiver aqui ainda vou pedir ajuda a ele. Será que você poderia ver se ele está aqui ainda? – perguntou ela a enfermeira, apenas balançou a cabeça em sinal de afirmativo e saiu. Enquanto vinha com Luiz, ela já lhe explicou o que acontecera e ele concordou em ajudar a respeito da situação.
            O funeral foi no dia seguinte. O pai de Gabi conseguiu falar com o pastor dela para que ainda fizessem um culto de memória a ela. Jorge, pai de Lucas foi avisado, mas compareceu somente ao sepultamento, com uma garrafa de cerveja na mão. Compareceram ainda várias pessoas da igreja, algumas ofereceram ajuda a Lucas. Alguns trouxeram um pouco de comida, outros o convidaram para passar uma tarde com eles. Mas ele nada aceitou. Estava com raiva de Deus e não queria ter nada a ver com as pessoas de igreja. Ele permaneceu mais um bom tempo ao lado da sepultura e de repente queria sair correndo para qualquer lugar, desde que longe dessas pessoas, do seu pai, de tudo. Mas Gabi que o observava de longe o impediu e foi conversar calmamente com ele mais uma vez.
- Lucas, posso conversar com você?
            - Eu não quero ouvir nada de Deus, ele matou a minha mãe.
            - Tudo bem. Então eu não vou falar Dele.
            - Nunca mais.
            - Isso eu não posso prometer.
            - Então pode sair daqui.
            - Á gente precisa conversar.
            - Só se você prometer nunca mais falar Dele.
            “Senhor o que eu faço? Como ele vai descobrir Teus caminhos, a salvação se não poderei falar de Ti?” Ele respondeu a ela “Eu tenho tudo sob controle, você precisa apenas ser amiga dele e ser um exemplo de vida para ele. No tempo certo eu vou lhe mostrar o que fazer. Apenas confie em mim.”
            - OK. Não vou mais mencionar Ele, até você mudar de idéia.
            - Pode deixar isso não vai acontecer. O que você quer falar?
            - Você vai continuar morando com seu pai?
            - Não. De jeito nenhum, aquele desgraçado, filho da mãe. Só agüentei ficar lá por causa da minha mãe.
            - E para onde você vai?
            - Não sei ainda, eu acho que vou morar com um amigo meu. Ele já ofereceu pra eu ficar na casa dele há um tempo. Só preciso arranjar um jeito de conseguir dinheiro. Não vou aceitar nada d dinheiro sujo do meu pai. E por que você está tão preocupada em me ajudar? Nem me conhece direito. E alem disso posso cuidar muito bem de mim mesmo. Sou mais velho que você, por que você quer dar uma de mãezinha pra cima de mim.
            - Primeiro que ser mais velho não quer dizer muita coisa, segundo que tua mãe  e mais uma pessoa me pediram. Você pode estar cego agora, mas algum dia você vai perceber que foi para o teu bem.
            - Tenho que ir agora, tenho mais i que fazer do que ficar aqui conversando.
            - Mas só uma coisa mais. – ela pegou o caderno dela, rasgou um afolha e anotou o e-mail dela. – por favor, me manda um e-mail dizendo como você está.
           - Eu... Eu não tenho e-mail. Aquele covarde gastava todo o dinheiro dele com bebida e quando eu economizava para comprar um, ele me roubava o que tinha.
            - Então ta, me manda uma carta então. – e ela anotou o endereço no verso. Mal ela entregou o papel a ele, já  saiu. Sem nem mesmo se despedir.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Capítulo 7 - Quem perder vai lavar a louça!

- Obrigada por ter me ajudado a arrumar as coisas aqui. É divertido receber o pessoal aqui, mas fazem uma bagunça!
- De nada. Foi realmente divertido, ainda bem que eu vim.
- Por quê? Você não ia vir?
- Eu estive realmente em dúvida. Da cidade onde eu venho não era muito comum os jovens se reunirem. E quando se reuniam, era para beber, fumar e outras coisas.
- E você ia nessas festas?
- Eu fui por algum tempo. Mas eu não achava muita graça em se embebedar e se embriagar, perder todos os sentidos, passar mal, tudo parecia meio inútil. Além do mais,  não gosto do cheiro de cigarro. Hoje em dia dou graças a Deus porque ele não deixou que eu participasse dessas coisas, senão eu poderia estar em bem outro lugar hoje.
- Quem bom mesmo! Faz tempo que você se mudou para cá?
- Na verdade não muito, eu cheguei aqui faz algumas semanas. Eu vim pra vá procurar uma casa, já que o resto da família só poderia vir mais tarde.
- E quem é esse teu resto de família?
- Meus pais, meu irmão e a minha avó.
- O teu avô já faleceu?
- Sim, quando eu tinha 14 anos. Nós dois éramos muito chegados, ele morava praticamente no quintal de casa, eu ia lá sempre que podia. Depois que ele morreu a minha avó ficou muito sozinha. Eles se amavam muito. Ela agora está bem doente, por isso a gente veio para cá. Ela vai fazer um tratamento médico.
- Ela está muito doente?
- Ela está com catarata. Ela pode ficar cega.
- Mas esse tratamento vai ajudar não vai?
- Os médicos esperam que sim, mas não podem dizer com certeza. Mas ela tem tamanha fé que eu acho que ela vai ser curada. E mesmo que não, ela vai continuar sendo a pessoa mais feliz do mundo.
- Que bom. Como pode? Nós que temos tudo o que precisamos e muito mais, reclamamos que não temos nada, sendo que não precisamos de tudo isso para ser feliz.
- É. Sabe o que? Você precisa ir visitar a minha avó algum dia você vai amar ela! Ela é um doce de pessoa, não para de sorrir por um segundo e além do mais, ela ama conhecer pessoas novas, companhia nova. Você quer?
- Claro! Quando?
- O dia que você quiser!
- Vou ver na minha agenda. Você sabe né, é difícil eu achar um tempo livre na minha agenda. Ainda mais para fazer caridade a uma velinha. - falou ela, só pra ver o que ele ia responder! Falar ele não falou nada, mas fez uma bela, ou não tão bela careta ele fez.
- Ops! Eu acho que deveria ter falado ‘pra passar um maravilhoso tempo abençoado com uma elegante senhora de idade’?
- É, não deveria! –ele fez uma cara de desapontado, triste.
- Eu estava só brincando! – E os dois dispararam a rir.
- E você, por que veio estudar aqui? No Mato Grosso do Sul tem boas faculdades também.
- É claro que sim, mas a gente queria ir para outro lugar, conhecer pessoas novas. E já que Curitiba é umas das melhores cidades gastronômicas, resolvemos vir pra cá!
- Aha! Vieram só por causa da comida, heim?
- Claro, tem critério melhor para escolher uma cidade?
- Não. Definitivamente não. Então quer dizer que você gosta de comer?
- Amo! Mas esse realmente não era o principal motivo, mas contou uns pontinhos...
- E cozinhar?
- Dá pra gostar de comer sem saber cozinhar?
- Na verdade dá, mas eu acho que a resposta é que você gosta, não é?
- É! E melhor do  que qualquer um aqui.
- Bem só tem nós dois aqui e melhor do que eu? Duvido!
- Pois eu não!
- Eu tenho uma proposta pra fazer...
- Com decência!
- No próximo encontro nós dois fazemos alguma coisa e outros vão julgar de quem está melhor. Quem perder vai lavar a louça.
            - Feito.

domingo, 19 de junho de 2011

Capítulo 6 - Conversas

Por dez minutos os dois ficaram abraçados, Gabi sentia algo especial por aquele rapaz, ela sentia que ele precisava de ajuda, de consolo. Quando se separaram foi a primeira vez que ele olhou bem no rosto daquela menina, se perguntou por que ela estava ali se nem o conhecia, o que ela estava fazendo abraçada com ele. Não, ela não estava se aproveitando dele como as outras, ou como ele fizera com algumas meninas, ela tinha uma aparência tão inocente, de quem que só quer consolar alguém triste.
Por alguns segundos os dois não sabiam o que falar ou fazer, e ele resolveu quebrar o silêncio:
- Meu nome é Luke, quer dizer Lucas Gabriel.
- O meu é Gabriela.
- Posso fazer uma pergunta?
- Por que eu estou aqui? – falou Gabi, já adivinhando a pergunta. Minha mãe está com uma costela fraturada. Por que estou fazendo isso? Deus disse e eu obedeci outra resposta não tenho.
- Deus?
- Isso mesmo, Deus me disse que você estava precisando de consolo que só ele poderia te dar.
- Como assim? Eu não preciso de nada Dele. Ele abandonou minha mãe no acidente. Ela ia pra Igreja todo domingo, orava todos os dias dava o dízimo, atura meu pai quando ele bate nela, ela é uma pessoa tão boa. Por que ela teve sofrer um acidente, justo ela? Não poderia ser meu pai? Como que Deus pode existir se ele deixa uma coisa dessas acontecer?
“Deus você não facilitou muita coisa pra mim né? Ajude-me a dizer as palavras certas a ele.”
- Bem, uma coisa eu sei: às vezes não entendemos na hora o que Ele faz, mas algum tempo mais tarde você vai perceber que por alguma razão isso teve que acontecer, eu mesma não sei de muitas coisas que Deus faz, mas sei que faz o melhor pra mim.
- Mas como você pode acreditar nisso? Deus nunca se mostrou, ele anda escondido de todo mundo.
- Deus não se esconde, é verdade que ele não aparece em forma de ser humano. Mas para quem o procurar com certeza Deus vai se mostrar.
- É pode ser, minha mãe sempre conversava tão abertamente com ele, como se ele fosse o melhor amigo dela.
- Ele pode ser o melhor amigo de cada um, é só querer.
Gabriela sentia que ele estava começando a se abrir para Deus, mas na hora a enfermeira chegou avisando que já poderia ir ver sua mãe. Ela se despediu de Lucas e foi ver sua mãe. Elas aproveitaram o tempo para botar a conversa em dia e Gabi comentou sobre o que tinha acontecido há poucos instantes. As duas oraram pelo rapaz e a mãe falou que deveriam continuar orando por ele. Quando sua mãe dormiu de novo, foi tomar mais alguma coisa e procurou por Lucas. Ela o procurou onde tinham falado antes, mas não viu ele lá, procurou ainda por alguns outros corredores, mas nada desse piá aparecer. Sua ultima esperança era olhar novamente na sala onde antes tinham se encontrado, ela queria tanto falar com ele, continuar a conversa, poxa, ele estava começando a se abrir pra escutá-la e aí ela teve que ir. E se eu não encontrar mais ele? Ele não vai mais ouvir se Jesus? E como será que a mãe dele estaria? Ela precisava encontrar ele. Ela foi pra sala de espera, mas não estava lá.
Quando estava voltando para o quarto da mãe, trombou com seu pai. Como Jackeline estava dormindo ele resolveu levar a filha para casa e depois voltaria para passar a noite com a esposa. Seu pai apenas a deixou no portão de casa e voltou para o hospital. Entrou em casa e sentiu algo estranho. A casa estava tão vazia, um pouco desarrumada, tá bom, um pouco muito desarrumada. Mas fazer o que, a mãe esteve fora desde quinta-feira, e provavelmente o pai oferecera o lugar para fazer a reunião dos homens que acontecia a cada duas semanas. Ela resolveu arrumar a casa um pouquinho, apesar de ser domingo, não tinha muita coisa pra fazer. Aproveitou e ligou seu MP3. Afinal, quem é que fica limpando a casa sozinha sem nem um pouco de música? E como era quase inevitável começou a cantar junto e a dançar, quem nunca fez isso?
Quando terminou, resolveu ligar pra sua amiga. 

- Alô!
- Alô, quem fala?
- Aqui é o Marcelo.
- Que Marcelo?
- Ué, Marcelo. Com quem você queria falar?
- Minha amiga.
- Como é nome dela?
Gabriela não sabia se respondia ou não, ela tinha certeza de que ligara no número certo, mas não conhecia nenhum Marcelo. Mas acabou cedendo afinal, sabia do que a amiga era capaz de faze, talvez estivesse interrompendo alguma sessão cinema com o grupo de jovens, ou uma noite com pizza...
- Larissa.
- Ah tá, espera só um pouco...
- Larissaaaaa.
- O que foi? Não to a fim de atender o telefone agora, manda ligar mais tarde. – foi o que Gabi escutou de fundo. E logo o rapaz respondeu para ela no telefone.
- Bem, ela tá meio ocupada, você poderia ligar mais tarde de novo.
- Na verdade não, eu estou ligando do Mato Grosso do Sul eu gostaria de falar com ela agora.
- Gabriela eu acho que é meio urgente.
- Quem é?
- Quem é? – ele perguntou agora ao telefone.
- Gabriela.
- Gabriela.
- Ah por que não falou logo? Imagina se eu não vou falar com ela? Oi amiga! Como está tua mãe?
- Está bem, dadas as circunstâncias. Eu preciso te contar uma coisa meio estranha e maravilhosa que aconteceu hoje.
- Fala amiga.
- Bem, hoje enquanto eu estava esperando a enfermeira me deixar ir visitar minha mãe, eu vi um cara.
- Ele era bonitinho?
- Calma aí, eu nem reparei direito.
- Mas reparou, não é? Como que ele era?
- Como assim?
- Altura, cor do cabelo, do olho, musculoso, coisa básica Gabi. Em alguma coisa você deve ter prestado atenção!
- Ah sei lá. – ela falou, não queria a amiga perguntando mais sobre a aparência dele, ela queria contar o que tinha acontecido. Mas por outro lado, sabia que a amiga não iria largar do pé antes de descobrir esses detalhes. Resolveu contar – Ele é um pouco mais alto que eu, cabelo castanho e olhos cor-de-mel. Satisfeita?
- Quase, mas é melhor do que nada! Então o que tinha ele?
- Eu estava sentada lá no sofá da recepção e eu vi que ele estava meio triste, chorando. E Deus me falou pra eu ir consolar ele.
- Peraí. Você, Gabriela foi consolar alguém que você nem conhecia e um menino ainda por cima? Essa eu queria ter visto!
- Por mim eu nem teria ido, foi Deus quem me de forças.
- E você conversou com ele mais um pouco?
- Ah, nós nos apresentamos... – bastou falar isso que Larissa já fez a próxima pergunta:
- E? Como era o nome dele?
- Lucas Gabriel.
- Que fofo! Continua...
-... E aí ela me perguntou por que eu estava fazendo aquilo e eu falei sobre Deus para ele. A mãe dele, pelo que ele me contou é cristã, mas ele não acredita muito em Deus. Tomara que eu o veja de novo pra poder falar mais com ele!
- É tomara amiga, vou orar por você e por ele.
- E você? O que está aprontado, heim? E quem é esse tal de Marcelo?
- Marcelo?
- É o cara que atendeu o telefone.
- Ah esse Marcelo... Na verdade eu não o conhecia por esse nome, eu acho que ele é mais conhecido na região por Rafael.
- E o que ele está fazendo aí?
- A gente reuniu umas pessoas dos jovens pra assistir um filme e etc, ele ficou pra me ajudar a arrumar a casa de novo.
- Ai que fofo. E aí conversaram bastante?
- Na verdade não, nem deu muito tempo, os outros acabaram de sair. Espero poder conversar um pouco mais com ele agora.
- Juízo heim.
- Sim mamãe!
- Depois você me conta tudo. Beijos.
- Tchau.

domingo, 29 de maio de 2011

Capítulo 5 - Um abraço de consolo

As três ainda tiveram um bom tempo juntas antes de a D. Jacke voltou pra Mato Grosso do Sul no sábado á noite. No culto de domingo de manhã, a mensagem fora sobre II Coríntios 1:5-7: “Pois assim como os sofrimentos de Cristo transbordam sobre nós, também por meio de Cristo transborda a nossa consolação. Se somos atribulados, é para consolação e salvação de vocês; se somos consolados, é para consolação de vocês, a qual lhes dá paciência para suportarem os mesmos sofrimentos que nós estamos padecendo. E a nossa esperança em relação a vocês está firme, porque sabemos que, da mesma forma como vocês participam dos nossos sofrimentos, participam também da nossa consolação.” Gabi não prestou muita atenção na mensagem, para que também? Ela é jovem ainda nunca passou por um problema muito sério, seus pais se amavam, ela estava em uma boa faculdade, tinha bons amigos... Tá certo que ela também queria um “mais que amigo”, mas isso não era motivo de desespero. Pelo menos não para ela, por que, meu chapéu, tem meninas que não sobrevivem um fim se semana sem o namorado, tá, exagerei um pouco né? Mas vocês entenderam o que eu quis dizer. Bem voltando ao assunto, mesmo não tendo prestado muita atenção, resolveu marcar os versículos na bíblia. Quando as duas já estavam voltando pro apartamento, Gabi recebeu uma ligação. Era seu pai.
- Fala pai, a mãe chegou bem em casa?
- É por causa dela que estou ligando. Recebi uma ligação que ela e o teu tio sofreram um acidente.
Gabriela ficou pálida, pensando o que poderia ter acontecido com a mãe, ela se machucou muito? Será que ela... Passaram por sua cabeça alguns momentos que passara com a mãe, quando pequena a mãe levava-a ao parque, brincavam juntas e depois ainda comiam um algodão doce. Lembrou das vezes em que a desobedecera, em que não disse que amava a mãe, em que não a abraçara das vezes em que simplesmente preferiu outra coisa a ficar com a mãe. Mergulhou tanto em seus pensamentos que não conseguia nem falar nem escutar nada. Lari pegou o telefone da mão dela, ela nem reagiu. Larissa então falou com o pai dela, Luís, que explicou que D. Jacke estava no hospital, mas que estava tudo bem com ela, dadas as circunstâncias. Estava apenas com alguns ferimentos, mas também estava com uma costela fraturada. Gabriela então resolveu ir até Campo Grande para ajudar seu pai a cuidar da mãe.
Conseguiu pegar o ônibus naquela mesma tarde. Seriam quase 15 horas de viagem, 15 longas horas de viagem. Na maior parte da viagem ficou lendo um livro que tinha levado e estava escutando música. Aproveitou também para dormir um pouco, já que não sabia o quanto ela iria dormir no hospital. Lá pelas quatro ou cinco horas da madrugada o ônibus pára, por causa de uma conexão. Alguns passageiros saíram e outros entraram, ela percebeu que a mulher ao sal lado tinha saído e em seu lugar sentou-se um homem. Ele parecia exausto. Não parecia ser muito velho, talvez tivesse uns 21 ou 22, ele não era nenhum deus grego, mas tinha lá seus encantos era alto, moreno e com o corpo bem defnido. Vestia um terno, estava todo arrumado, mas tinha algo em seus olhos, uma tristeza que jamais vira em alguém. Gabi sentia Deus falando em seu coração: “Ore por esse rapaz. Ele precisa de consolo que só Eu posso lhe dar.” E no mesmo instante ela começou a orar, pedindo que Deus o consolasse, que o guardasse e que o protegesse nesse momento e também para o resto de sua vida.
Chegando à Rodoviária, seu pai já estava esperando-a. Correu para os braços do pai, mesmo estando já com 19 anos, continuava gostando da sensação de proteção e consolo nos braços dele.          
- Você quer passar no hospital primeiro ou ir direto para casa?
            - Eu quero ir ver a mamãe primeiro.
            - Então tá, eu vou deixar no hospital enquanto isso vou buscar mais umas roupas e livros pra tua mãe.
            - Tá bom. Posso perguntar uma coisa pai?
            - Pode sim.
            - Você dormiu hoje de noite?
            - Um pouco, tua mãe estava sentindo muita dor e não conseguia dormir.
            - então aproveita e dorme mais um pouco em casa, eu fico com a mamãe aqui no hospital. Eu acho que ainda temos bastante papo pra colocar em dia.
            - Então tá. Mas qualquer coisa me liga.
            - Pode deixar. Boa noite. Apesar de já serem 10horas da manhã, espero que você durma bem.
            - Obrigado, até depois.
            Ela entrou no hospital e perguntou qual era o quarto de sua mãe. A enfermeira respondeu – lhe o número do quarto e pediu que ela esperasse mais uma meia hora, pois o médico estava no quarto da mãe fazendo mais alguns exames e ainda indicou a sala de espera, onde também tinha café. Gabi aproveitou para tomar um pouco de café e comer uns biscoitou, pois não comera nada além de algumas coisinhas que foram distribuídas no ônibus. Tão logo ela se sentou no sofá da sala de espera, percebeu que tinha um homem chorando ao seu lado. Olhou um pouco melhor e viu que era o mesmo homem do ônibus. Ela se lembrou dos versículos dos quais o pastor tinha falado no culto, procurou de novo na bíblia, lembrava que estava em algum lugar em coríntios. Achou e leu de novo percebeu que era Deus falando com La novamente para consolar aquele rapaz. Por ela ser uma pessoa tímida, teve tomar muita coragem e oração para conseguir falar as palavras de Deus a ele.
            - Com licença, você está bem? – Ele nem levantou a cabeça. “Senhor, como Você quer que eu fale e console alguém que nem quer falar comigo, que nem me escuta?” “Tente de novo.” Ela encostou a sua mão no ombro dele e perguntou de novo:
            - Você está bem? Ela a olhou meio assustado. Ela percebeu os olhos dele eram lindos, um tipo de castanho, cor de mel. Ele começou a soluçar novamente, ela, antes de perceber o que estava acontecendo abraçou ele. Um abraço de consolo.                                                                                                            

terça-feira, 10 de maio de 2011

Capítulo 4 – Bolsa de Valores

- E como vão as coisas por aqui? – falou a mãe começando um típico interrogatório, mas a gente tem que dar um desconto né? Jackeline não vê sua filha há três semanas.
- Vai tudo bem. Eu acho.
-E vocês duas estão se dando bem?
- Claro né mãe, já somos amigas há séculos.
- Quem sabe, às vezes quando vão morar juntas até as melhores amigas do mundo podem brigar.
- Discutir, nós já discutimos algumas vezes, mas nada de tão ruim.
- E a arrumação da casa?  Ela tá sempre limpinha?
- Bem, digamos que na maioria das vezes ela tá arrumada. E lá no Mato Grosso? Tá todo mundo feliz e contente? – Gabi resolveu mudar um pouco de assunto. Vai que a mãe resolvesse perguntar quantas vezes por semana elas limpavam a casa e tal...
- Nem todo mundo tá feliz e contente, a tia Lucélia está com algumas dificuldades financeiras, mas ela tá começando a fazer bolos e salgadinhos pra vender, você sabe como ela cozinha bem não é?
- E como. Mas mãe não deu já o interrogatório?
- Só mais uma pergunta. Por favor?
- Tá bom mãe só mais uma...
- E os gatinhos, andam aparecendo alguns por aqui?
- Mãe! Pelo jeito você está louca pra me ver namorando não é?
- Claro. Eu quero conhecer meus netos e bisnetos ainda...
- Calma aí mãe, eu só tenho 20 anos.
- Então, na tua idade eu já estava noiva do seu pai. – Desculpem a interrupção, mas, por favor, né quem nunca ouviu essa frase da mãe ou do pai, ou pior ainda da avó que sempre diz ai que juventude hoje em dia, fica o dia inteiro no computador, não sabe mais pescar... Na minha época nem existia computador ainda e a gente sobrevivia, agora deixar um adolescente ou jovem do século XXI sem um troço daqueles, Deus me livre, não sabe mais o que fazer...  Voltando ao assunto... – Menina esperta você heim? Pensou que ia se livrar de responder minha pergunta? Mas nem que a vaca tuça (?!?!?), então como vão os gatinhos da redondeza? – É a mãe da Gabi era meio diferente mesmo, um pouco mais animada e... vamos dizer com espírito jovial. Todos gostavam dela, ela tinha lá seus 44 anos, mas tinha um ar alegre e divertido e pra falar  a verdade, nem parecia ter essa idade, algumas pessoas davam 30 anos pra ela não é a toa que Gabi era tão linda.
- Então mãe, sabe como que é né?
- Não sei. Me conta...
- As coisas por aqui não andam muito bem não, só teve um  que apareceu no grupo de jovens esses dias.
- Quem? Você conversou com ele? Ele é legal? Usa um perfume bom?
- Perfume mãe?
- É, quando eu comecei a namorar com teu pai ele usava um perfume tão boom.
- Tá mãe, o nome dele é Rafael, se você quiser mais informações pergunte à Larissa, foi ela quem o fisgou primeiro.
- Eu escutei meu nome? – perguntou Lari entrando com o pote de brigadeiro pronto na mão.
- Escutou sim. Eu estou querendo saber mais informações sobre um tal de Rafael. Sabe quem que é?
- É claro que sei dona Jacke. O menino que veio pela primeira vez no último grupo de jovens.
- E você pode me dar algumas informações sobre ele?
- Bem ele é alto, loiro, olhos azuis, simpático, legal, vem do Mato Grosso do Sul também, ah também não sei muitas coisas sobre ele, mas de uma coisa eu sei, vale a pena investir nele.
- Investir, agora você vai abrir uma ação na bolsa de valores: Rafael e vai investir tudo o que você tem nele.
- É, nunca tinha pensado dessa forma mas é de certa forma é isso.
- Cuidado Lari, ás vezes a propaganda da ação pode ser enganosa, ou você pode investir tanto nela e um dia ela vai desvalorizar e pra conseguir tudo o que você investiu de volta pode demorar muito e custar alguns baldes de lágrimas.
- Nossa dona Jacke, também não precisava acabar comigo assim.
- Eu não quero te magoar, mas você é quase uma filha pra mim e se alguma coisa tivesse acontecido com você sem eu avisar, me sentiria culpada.
- tudo bem eu estava só brincando. Obrigada pelo conselho, vou tentar me frear um pouco e ir investindo pouco a pouco nessa ação.
                                                                                                                                        

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Capítulo 3 - Adivinha quem chegou?

Capítulo 3

            - Ai amiga você viu o Rafael? Ele é muito lindoo, e ele sentou do meu lado no filme e a gente conversou, ai ele é muito legal, ele é tudo!
            - Calma aí, respira um pouco, eu percebi que você tinha achado ele bonitinho e que vocês bateram um papo enquanto eles não resolveram o problema do filme, mas eu na sabia que você tinha se impressionado tanto com ele!
            - Não é pra tanto também, mas ele... Ah, eu não sei explicar, é uma coisa meio diferente dos outros meninos que eu gostei.
            - Larissa Mendes você está apaixonada? – perguntou Gabi quase rindo.
            - Não claro que não eu nem conheço ele direito, se bem que...
            - Se bem que o que?
            - Nada Gabi, nada não.
            - Me conta, senão...
            - Senão o quê heim?
            - Senão eu faço isso...

            E jogou uma almofada na amiga, o que não deu outra: começaram uma guerra de travesseiros, ou-almofadas-tanto-faz. Mas tiveram que parar devido a uma pequena interrupção, o bendito telefone!
            - Alô! – Foi Gabriela quem atendeu
            - Boa noite senhorita Gabriela.
            - Mãe?
            - Eu mesma, não posso ligar para minha filha da qual eu to morrendo de saudades?
            - Claro que pode, mãe. Tudo bem com vocês aí?
            - Tudo sim. E você? Está estudando muito? Eu não interrompi você no meio dos estudos né.
            - Não, eu acabei de terminar de estudar. – E Larissa disparou uma gargalhada
            - Dona Jackeline, sua filha é muito estudiosa, ela acaba de terminar um trabalho sobre as aves, mais precisamente sobre as penas das aves. – Gritou Lari ao telefone.
            - E posso saber, o que as penas das aves tem a ver com Botânica, menina?
            - É um assunto meio difícil de explicar...
            - Que nada, eu sei explicar o seu trabalho em três palavras: GUERRA-DE-TRAVESSEIROS. – falou a mãe.
            - Da onde você tirou essa idéia, heim mãe?
            - Eu vou te contar, é da sala toda cheia de penas de ganso espalhadas pelo chão...
            - Como assim? – E nisso a mãe tocou a campainha da casa.
            - Ops. – Falaram as duas amigas juntas.

            -Mãe! O que é que você está fazendo aqui? Você podia ter nos avisado. E se a gente não estivesse em casa? E como você subiu pra cá?
            - Calma aí, até parece que vocês aprontaram, quer dizer, pela aparência desta sala, até daria pra dizer que vocês aprontaram uma, heim?
            - É que, sabe como que é D. Jacke, a gente só estava relembrando os velhos tempos da infância, das festas de pijama e tudo mais.
            - É, mas pra uma festa de pijama ainda falta muito. Cadê as pizzas? Os filmes? O brigadeiro de panela? As revistas de fofoca? Vocês não pensaram em nada mesmo, ainda bem que tem uma mãe aqui que pensou em tudo isso. Ah e eu quase ia me esquecendo, A Lanterna...
            - Mas o que ta acontecendo aqui mãe? Me explica primeiro, o que você está fazendo aqui?
            - Como eu já disse, eu estou com saudades da minha filha.
            - Mas como você foi parar aqui?
            - O tio Marcelo me trouxe.
            - Lá de Campo Grande?
            - Não do Amazonas, claro que é de Campo Grande. – falou Larissa no meio
            - Tá, mas como?
            - O tio Marcelo tinha que reparar uma máquina de um hospital aqui perto e eu perguntei se eu não podia vir junto. Por quê? Você não me quer aqui?
            - Claro que sim, eu to super feliz que você veio, mas são 14 horas de viagem.
            - Eu sobrevivi.
            - Desculpe interromper o interrogatório, mas já que pelo que parece, a gente vai fazer uma festa de pijama mesmo, posso começar a fazer o brigadeiro já? – Perguntou Lari.
            - Pode aqui tá a lata de leite condensado, chocolate em pó vocês tem não é?
            - Sim. – E ela lá foi pra cozinha preparar o brigadeiro deixando mãe e filha conversarem um pouco...

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Capítulo 2 - Church

- Vamos logo Larissa...
- Calma aí, você está sempre tão adiantada e aí vem dizer que sou eu quem está atrasada!
- Lari, são 16: 45 e o grupo começa ás 19:00, e a gente demora 10 minutos pra chegar lá.
- Então, a gente pode sair da que a cinco minutos.
- Você é impossível!

Tá bom, elas chegar poucos minutos atrasadas, mas como estamos no Brasil e as coisas não são lá muito pontuais, elas conseguiram entrar antes de começar. Esse era o grupo de jovens da igreja onde elas participavam. No começo elas ficaram meio tímidas já que vieram de outro estado e eram novas ali, mas conseguiram se enturmar facilmente, graças á habilidade de Larissa de fazer amigos rapidamente; Toda sexta-feira eles se reúnem, para o tamanho da igreja, que não era muito grande, até que vinham bastantes pessoas, geralmente umas 20 a 30. É um tempo bem divertido com um louvor agitado brincadeiras, ás vezes com comida e eu tempo em que podiam aprofundar mais o relacionamento com as pessoas e com Deus. Os líderes, Karine e Felipe, eram amados por todo grupo, sempre tinham idéias criativas pra bagunças e para evangelizações as vezes. Os dois cantavam no louvor e encantavam todos com suas vozes, que não eram nada ruins. Mal começa o culto e as duas amigas já estão cochichando...
- Gabi do céu, quem é aquele gato sentado do lado da Gil?
- Sei lá, deve ser algum visitante.
- Será que eu já conheço ele?
- Se você conhecesse um gato desses, você lembraria quem é.
- Nisso você tem razão amiga. Mas esse rosto me parece familiar...
-Larissa, você não quer ler o texto para nós?
- Errr, desculpa Felipe, eu estava tratando de uns assuntos muuuuito importantes aqui com minha amiga.
- Sei. Alguém se voluntaria para ler o texto em Romanos 12:3?
- Eu leio – falou o visitante
- Isso que é um exemplo, né Lari? Como é seu nome, por favor?
- É Rafael.
- Muito bem vindo então Rafael, você pode ler o texto?
 - “Pois pela graça que me foi dada digo a todos vocês: ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; mas, pelo contrário, tenha um conceito equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu.”
- Obrigado. Então o que vocês podem perceber desse texto?
- Que os romanos se achavam muito! – comentou um jovem.
- Por quê?
-Ué, se Paulo escreve que ninguém deve ter de si mesmo, como é que é mesmo?
- Um conceito mais elevado do que deve ter...
- Isso mesmo, ou seja, eles se achavam e eram metidos a beça.
- Muito bem Pedro, esse é um comentário a ser considerado. Mas é uma pena que ele não possa ser aplicado nos dias de hoje, não é?
- Mas é claro que não, - comentou outra jovem – imagina só, alguém hoje em dia se achar mais importante, bonito, engraçado entre muitas outras coisas.
- A esse ponto eu queria chegar. Sabe aquela pessoa no trânsito, que atravessa o sinal vermelho, ou não respeita algum pedestre que quer atravessar, será que essa pessoa não está tendo um conceito mais elevado de si mesmo do que deveria ter? Alguém pode me dar mais um exemplo?
É claro que o grupo todo começou a conversar, alguns nem conversaram sobre o assunto, aproveitaram para conversar sobre banalidades. Mas Felipe conseguiu catar alguns exemplos que os jovens davam.
- Quando um menino fica com uma menina e dispensa-a por que enjoou dela, ele se achando superior a ela, que ele pode ficar usando ela e largar a hora que quiser.
- Quando alguém pede ajuda para alguma coisa e a pessoa não quer ajudar só por que a pessoa não faz parte do grupo social dele.
- Felipe?
- Sim Juliana?
- Ter um conceito mais elevado dele mesmo não pode ser considerado arrogância?
- Claro que pode muito bem colocado. Eu acho que todo mundo já entendeu o que eu quis dizer, não é? E a segunda parte do versículo. Alguém se lembra do que se tratava?
- Era alguma coisa de ter um conceito equilibrado...
-Isso mesmo Larissa, começou a prestar atenção heim? Será que era o texto que estava interessante ou a pessoa que leu o texto?
Foi isso que bastou pra que todos começassem a rir e a conversar de novo, mas o líder conseguiu recuperar a atenção de todos e continuar a mensagem...

Logo depois de ter acabado, Larissa, Gabi e mais alguns saíram para respirar um pouco de ar no pátio e é claro, conversar. Na verdade isso meio que já virou rotina, quando não estava muito frio é claro, as vezes ficavam até duas horas conversando depois ainda, se Karine e Felipe agüentassem ficar tanto tempo lá, o que geralmente era o caso. Mas desta vez eles tiveram uma idéia de ir assistir um filme e pedir pizza para acompanhar, não é nem duvida que todos aceitaram a idéia. O grupo todo foi a pé, já que a casa deles era a três quarteirões da Igreja. Houve uma pequena discussão sobre que filme iam assistir, os meninos querias filme de ação, as meninas de comédia romântica, e por fim acabaram escolhendo o filme “Desafiando Gigantes”. Foi um pouco complicado fazer todos caberem na sala, que não era lá muito grande, eles se apertaram um pouquinho e acabaram cabendo. Larissa infelizmente teve que se sentar ao lado de Rafael, não é horrível? Na verdade ela até que gostou bastante de ter que ficar uma hora e meia sentada ao lado do gatinho novo da igreja e o pior é que o filme travou e os dois começaram a conversar:
- Da onde você veio? – perguntou Lari
- Você não deve conhecer, é meio longe daqui.
- Eu era uma ótima aluna em geografia, deixa eu ver se eu sei onde fica esse fim de mundo.
            - Na verdade não é fim de mundo, mas sim Mundo Novo.
            - A mas isso é pertinho o bairro Novo Mundo é aqui do lado, quer dizer, de ônibus da uma boa hora, ou um pouquinho mais.
            - Eu sabia que você não sabe onde é eu não vim do Novo Mundo aqui no Paraná, eu vim de Mundo Novo em...
            - Mato Grosso do Sul, perto da fronteira com o Paraná e também quase na divisa com o Paraguai. Ao lado da cidade de Guaíra, onde até faz pouco tempo existiam as sete quedas*, mas eu acho que você também deve saber de tudo isso não é?
            - É claro que sim, mas como você sabe, andou pesquisando o meu histórico na Internet?
- Na verdade sim, gosto de saber se os visitantes não são marginais ou coisa parecida...
- Ah é?
- Aham.
- Então tá. Mas posso saber como você soube que eu ia vir aqui hoje?
- Me desculpe, mas eu não posso revelar as minhas fontes. – e os dois começaram a rir
- Mas falando sério, você deve ser uma aluna muito boa pra saber onde fica a minha cidade.
- Isso ou passar todo ano as férias lá.
- Isso já é uma explicação mais fácil de acreditar. Mas não é meio cansativo viajar umas 10 horas de carro todo ano?
- Na verdade eu morava e Campo Grande, eu só vim pra cá com a Gabi pra estudar.
- Gabi é aquela menina com   quem você estava conversando?
- Isso mesmo.
- É eu imaginei que vocês fossem amigas, não se desgrudam um segundo.
- Não é pra tanto também.
- Eu só tava brincando, mas é bom mesmo ter alguém com quem se pode contar sempre, desde que isso não te impeça de fazer novas amizades.
- Bem pessoal, o Jordan já conseguiu arrumar o DVD aqui – e todo grupo começou a aplaudir ele, como se tivesse ganhado algum prêmio importante – vamos continuar o filme. 

*Sete Quedas, era um parque liiindo em Guaíra mas que foi alagado por causa da usina de Itaipú.