domingo, 19 de junho de 2011

Capítulo 6 - Conversas

Por dez minutos os dois ficaram abraçados, Gabi sentia algo especial por aquele rapaz, ela sentia que ele precisava de ajuda, de consolo. Quando se separaram foi a primeira vez que ele olhou bem no rosto daquela menina, se perguntou por que ela estava ali se nem o conhecia, o que ela estava fazendo abraçada com ele. Não, ela não estava se aproveitando dele como as outras, ou como ele fizera com algumas meninas, ela tinha uma aparência tão inocente, de quem que só quer consolar alguém triste.
Por alguns segundos os dois não sabiam o que falar ou fazer, e ele resolveu quebrar o silêncio:
- Meu nome é Luke, quer dizer Lucas Gabriel.
- O meu é Gabriela.
- Posso fazer uma pergunta?
- Por que eu estou aqui? – falou Gabi, já adivinhando a pergunta. Minha mãe está com uma costela fraturada. Por que estou fazendo isso? Deus disse e eu obedeci outra resposta não tenho.
- Deus?
- Isso mesmo, Deus me disse que você estava precisando de consolo que só ele poderia te dar.
- Como assim? Eu não preciso de nada Dele. Ele abandonou minha mãe no acidente. Ela ia pra Igreja todo domingo, orava todos os dias dava o dízimo, atura meu pai quando ele bate nela, ela é uma pessoa tão boa. Por que ela teve sofrer um acidente, justo ela? Não poderia ser meu pai? Como que Deus pode existir se ele deixa uma coisa dessas acontecer?
“Deus você não facilitou muita coisa pra mim né? Ajude-me a dizer as palavras certas a ele.”
- Bem, uma coisa eu sei: às vezes não entendemos na hora o que Ele faz, mas algum tempo mais tarde você vai perceber que por alguma razão isso teve que acontecer, eu mesma não sei de muitas coisas que Deus faz, mas sei que faz o melhor pra mim.
- Mas como você pode acreditar nisso? Deus nunca se mostrou, ele anda escondido de todo mundo.
- Deus não se esconde, é verdade que ele não aparece em forma de ser humano. Mas para quem o procurar com certeza Deus vai se mostrar.
- É pode ser, minha mãe sempre conversava tão abertamente com ele, como se ele fosse o melhor amigo dela.
- Ele pode ser o melhor amigo de cada um, é só querer.
Gabriela sentia que ele estava começando a se abrir para Deus, mas na hora a enfermeira chegou avisando que já poderia ir ver sua mãe. Ela se despediu de Lucas e foi ver sua mãe. Elas aproveitaram o tempo para botar a conversa em dia e Gabi comentou sobre o que tinha acontecido há poucos instantes. As duas oraram pelo rapaz e a mãe falou que deveriam continuar orando por ele. Quando sua mãe dormiu de novo, foi tomar mais alguma coisa e procurou por Lucas. Ela o procurou onde tinham falado antes, mas não viu ele lá, procurou ainda por alguns outros corredores, mas nada desse piá aparecer. Sua ultima esperança era olhar novamente na sala onde antes tinham se encontrado, ela queria tanto falar com ele, continuar a conversa, poxa, ele estava começando a se abrir pra escutá-la e aí ela teve que ir. E se eu não encontrar mais ele? Ele não vai mais ouvir se Jesus? E como será que a mãe dele estaria? Ela precisava encontrar ele. Ela foi pra sala de espera, mas não estava lá.
Quando estava voltando para o quarto da mãe, trombou com seu pai. Como Jackeline estava dormindo ele resolveu levar a filha para casa e depois voltaria para passar a noite com a esposa. Seu pai apenas a deixou no portão de casa e voltou para o hospital. Entrou em casa e sentiu algo estranho. A casa estava tão vazia, um pouco desarrumada, tá bom, um pouco muito desarrumada. Mas fazer o que, a mãe esteve fora desde quinta-feira, e provavelmente o pai oferecera o lugar para fazer a reunião dos homens que acontecia a cada duas semanas. Ela resolveu arrumar a casa um pouquinho, apesar de ser domingo, não tinha muita coisa pra fazer. Aproveitou e ligou seu MP3. Afinal, quem é que fica limpando a casa sozinha sem nem um pouco de música? E como era quase inevitável começou a cantar junto e a dançar, quem nunca fez isso?
Quando terminou, resolveu ligar pra sua amiga. 

- Alô!
- Alô, quem fala?
- Aqui é o Marcelo.
- Que Marcelo?
- Ué, Marcelo. Com quem você queria falar?
- Minha amiga.
- Como é nome dela?
Gabriela não sabia se respondia ou não, ela tinha certeza de que ligara no número certo, mas não conhecia nenhum Marcelo. Mas acabou cedendo afinal, sabia do que a amiga era capaz de faze, talvez estivesse interrompendo alguma sessão cinema com o grupo de jovens, ou uma noite com pizza...
- Larissa.
- Ah tá, espera só um pouco...
- Larissaaaaa.
- O que foi? Não to a fim de atender o telefone agora, manda ligar mais tarde. – foi o que Gabi escutou de fundo. E logo o rapaz respondeu para ela no telefone.
- Bem, ela tá meio ocupada, você poderia ligar mais tarde de novo.
- Na verdade não, eu estou ligando do Mato Grosso do Sul eu gostaria de falar com ela agora.
- Gabriela eu acho que é meio urgente.
- Quem é?
- Quem é? – ele perguntou agora ao telefone.
- Gabriela.
- Gabriela.
- Ah por que não falou logo? Imagina se eu não vou falar com ela? Oi amiga! Como está tua mãe?
- Está bem, dadas as circunstâncias. Eu preciso te contar uma coisa meio estranha e maravilhosa que aconteceu hoje.
- Fala amiga.
- Bem, hoje enquanto eu estava esperando a enfermeira me deixar ir visitar minha mãe, eu vi um cara.
- Ele era bonitinho?
- Calma aí, eu nem reparei direito.
- Mas reparou, não é? Como que ele era?
- Como assim?
- Altura, cor do cabelo, do olho, musculoso, coisa básica Gabi. Em alguma coisa você deve ter prestado atenção!
- Ah sei lá. – ela falou, não queria a amiga perguntando mais sobre a aparência dele, ela queria contar o que tinha acontecido. Mas por outro lado, sabia que a amiga não iria largar do pé antes de descobrir esses detalhes. Resolveu contar – Ele é um pouco mais alto que eu, cabelo castanho e olhos cor-de-mel. Satisfeita?
- Quase, mas é melhor do que nada! Então o que tinha ele?
- Eu estava sentada lá no sofá da recepção e eu vi que ele estava meio triste, chorando. E Deus me falou pra eu ir consolar ele.
- Peraí. Você, Gabriela foi consolar alguém que você nem conhecia e um menino ainda por cima? Essa eu queria ter visto!
- Por mim eu nem teria ido, foi Deus quem me de forças.
- E você conversou com ele mais um pouco?
- Ah, nós nos apresentamos... – bastou falar isso que Larissa já fez a próxima pergunta:
- E? Como era o nome dele?
- Lucas Gabriel.
- Que fofo! Continua...
-... E aí ela me perguntou por que eu estava fazendo aquilo e eu falei sobre Deus para ele. A mãe dele, pelo que ele me contou é cristã, mas ele não acredita muito em Deus. Tomara que eu o veja de novo pra poder falar mais com ele!
- É tomara amiga, vou orar por você e por ele.
- E você? O que está aprontado, heim? E quem é esse tal de Marcelo?
- Marcelo?
- É o cara que atendeu o telefone.
- Ah esse Marcelo... Na verdade eu não o conhecia por esse nome, eu acho que ele é mais conhecido na região por Rafael.
- E o que ele está fazendo aí?
- A gente reuniu umas pessoas dos jovens pra assistir um filme e etc, ele ficou pra me ajudar a arrumar a casa de novo.
- Ai que fofo. E aí conversaram bastante?
- Na verdade não, nem deu muito tempo, os outros acabaram de sair. Espero poder conversar um pouco mais com ele agora.
- Juízo heim.
- Sim mamãe!
- Depois você me conta tudo. Beijos.
- Tchau.

domingo, 29 de maio de 2011

Capítulo 5 - Um abraço de consolo

As três ainda tiveram um bom tempo juntas antes de a D. Jacke voltou pra Mato Grosso do Sul no sábado á noite. No culto de domingo de manhã, a mensagem fora sobre II Coríntios 1:5-7: “Pois assim como os sofrimentos de Cristo transbordam sobre nós, também por meio de Cristo transborda a nossa consolação. Se somos atribulados, é para consolação e salvação de vocês; se somos consolados, é para consolação de vocês, a qual lhes dá paciência para suportarem os mesmos sofrimentos que nós estamos padecendo. E a nossa esperança em relação a vocês está firme, porque sabemos que, da mesma forma como vocês participam dos nossos sofrimentos, participam também da nossa consolação.” Gabi não prestou muita atenção na mensagem, para que também? Ela é jovem ainda nunca passou por um problema muito sério, seus pais se amavam, ela estava em uma boa faculdade, tinha bons amigos... Tá certo que ela também queria um “mais que amigo”, mas isso não era motivo de desespero. Pelo menos não para ela, por que, meu chapéu, tem meninas que não sobrevivem um fim se semana sem o namorado, tá, exagerei um pouco né? Mas vocês entenderam o que eu quis dizer. Bem voltando ao assunto, mesmo não tendo prestado muita atenção, resolveu marcar os versículos na bíblia. Quando as duas já estavam voltando pro apartamento, Gabi recebeu uma ligação. Era seu pai.
- Fala pai, a mãe chegou bem em casa?
- É por causa dela que estou ligando. Recebi uma ligação que ela e o teu tio sofreram um acidente.
Gabriela ficou pálida, pensando o que poderia ter acontecido com a mãe, ela se machucou muito? Será que ela... Passaram por sua cabeça alguns momentos que passara com a mãe, quando pequena a mãe levava-a ao parque, brincavam juntas e depois ainda comiam um algodão doce. Lembrou das vezes em que a desobedecera, em que não disse que amava a mãe, em que não a abraçara das vezes em que simplesmente preferiu outra coisa a ficar com a mãe. Mergulhou tanto em seus pensamentos que não conseguia nem falar nem escutar nada. Lari pegou o telefone da mão dela, ela nem reagiu. Larissa então falou com o pai dela, Luís, que explicou que D. Jacke estava no hospital, mas que estava tudo bem com ela, dadas as circunstâncias. Estava apenas com alguns ferimentos, mas também estava com uma costela fraturada. Gabriela então resolveu ir até Campo Grande para ajudar seu pai a cuidar da mãe.
Conseguiu pegar o ônibus naquela mesma tarde. Seriam quase 15 horas de viagem, 15 longas horas de viagem. Na maior parte da viagem ficou lendo um livro que tinha levado e estava escutando música. Aproveitou também para dormir um pouco, já que não sabia o quanto ela iria dormir no hospital. Lá pelas quatro ou cinco horas da madrugada o ônibus pára, por causa de uma conexão. Alguns passageiros saíram e outros entraram, ela percebeu que a mulher ao sal lado tinha saído e em seu lugar sentou-se um homem. Ele parecia exausto. Não parecia ser muito velho, talvez tivesse uns 21 ou 22, ele não era nenhum deus grego, mas tinha lá seus encantos era alto, moreno e com o corpo bem defnido. Vestia um terno, estava todo arrumado, mas tinha algo em seus olhos, uma tristeza que jamais vira em alguém. Gabi sentia Deus falando em seu coração: “Ore por esse rapaz. Ele precisa de consolo que só Eu posso lhe dar.” E no mesmo instante ela começou a orar, pedindo que Deus o consolasse, que o guardasse e que o protegesse nesse momento e também para o resto de sua vida.
Chegando à Rodoviária, seu pai já estava esperando-a. Correu para os braços do pai, mesmo estando já com 19 anos, continuava gostando da sensação de proteção e consolo nos braços dele.          
- Você quer passar no hospital primeiro ou ir direto para casa?
            - Eu quero ir ver a mamãe primeiro.
            - Então tá, eu vou deixar no hospital enquanto isso vou buscar mais umas roupas e livros pra tua mãe.
            - Tá bom. Posso perguntar uma coisa pai?
            - Pode sim.
            - Você dormiu hoje de noite?
            - Um pouco, tua mãe estava sentindo muita dor e não conseguia dormir.
            - então aproveita e dorme mais um pouco em casa, eu fico com a mamãe aqui no hospital. Eu acho que ainda temos bastante papo pra colocar em dia.
            - Então tá. Mas qualquer coisa me liga.
            - Pode deixar. Boa noite. Apesar de já serem 10horas da manhã, espero que você durma bem.
            - Obrigado, até depois.
            Ela entrou no hospital e perguntou qual era o quarto de sua mãe. A enfermeira respondeu – lhe o número do quarto e pediu que ela esperasse mais uma meia hora, pois o médico estava no quarto da mãe fazendo mais alguns exames e ainda indicou a sala de espera, onde também tinha café. Gabi aproveitou para tomar um pouco de café e comer uns biscoitou, pois não comera nada além de algumas coisinhas que foram distribuídas no ônibus. Tão logo ela se sentou no sofá da sala de espera, percebeu que tinha um homem chorando ao seu lado. Olhou um pouco melhor e viu que era o mesmo homem do ônibus. Ela se lembrou dos versículos dos quais o pastor tinha falado no culto, procurou de novo na bíblia, lembrava que estava em algum lugar em coríntios. Achou e leu de novo percebeu que era Deus falando com La novamente para consolar aquele rapaz. Por ela ser uma pessoa tímida, teve tomar muita coragem e oração para conseguir falar as palavras de Deus a ele.
            - Com licença, você está bem? – Ele nem levantou a cabeça. “Senhor, como Você quer que eu fale e console alguém que nem quer falar comigo, que nem me escuta?” “Tente de novo.” Ela encostou a sua mão no ombro dele e perguntou de novo:
            - Você está bem? Ela a olhou meio assustado. Ela percebeu os olhos dele eram lindos, um tipo de castanho, cor de mel. Ele começou a soluçar novamente, ela, antes de perceber o que estava acontecendo abraçou ele. Um abraço de consolo.                                                                                                            

terça-feira, 10 de maio de 2011

Capítulo 4 – Bolsa de Valores

- E como vão as coisas por aqui? – falou a mãe começando um típico interrogatório, mas a gente tem que dar um desconto né? Jackeline não vê sua filha há três semanas.
- Vai tudo bem. Eu acho.
-E vocês duas estão se dando bem?
- Claro né mãe, já somos amigas há séculos.
- Quem sabe, às vezes quando vão morar juntas até as melhores amigas do mundo podem brigar.
- Discutir, nós já discutimos algumas vezes, mas nada de tão ruim.
- E a arrumação da casa?  Ela tá sempre limpinha?
- Bem, digamos que na maioria das vezes ela tá arrumada. E lá no Mato Grosso? Tá todo mundo feliz e contente? – Gabi resolveu mudar um pouco de assunto. Vai que a mãe resolvesse perguntar quantas vezes por semana elas limpavam a casa e tal...
- Nem todo mundo tá feliz e contente, a tia Lucélia está com algumas dificuldades financeiras, mas ela tá começando a fazer bolos e salgadinhos pra vender, você sabe como ela cozinha bem não é?
- E como. Mas mãe não deu já o interrogatório?
- Só mais uma pergunta. Por favor?
- Tá bom mãe só mais uma...
- E os gatinhos, andam aparecendo alguns por aqui?
- Mãe! Pelo jeito você está louca pra me ver namorando não é?
- Claro. Eu quero conhecer meus netos e bisnetos ainda...
- Calma aí mãe, eu só tenho 20 anos.
- Então, na tua idade eu já estava noiva do seu pai. – Desculpem a interrupção, mas, por favor, né quem nunca ouviu essa frase da mãe ou do pai, ou pior ainda da avó que sempre diz ai que juventude hoje em dia, fica o dia inteiro no computador, não sabe mais pescar... Na minha época nem existia computador ainda e a gente sobrevivia, agora deixar um adolescente ou jovem do século XXI sem um troço daqueles, Deus me livre, não sabe mais o que fazer...  Voltando ao assunto... – Menina esperta você heim? Pensou que ia se livrar de responder minha pergunta? Mas nem que a vaca tuça (?!?!?), então como vão os gatinhos da redondeza? – É a mãe da Gabi era meio diferente mesmo, um pouco mais animada e... vamos dizer com espírito jovial. Todos gostavam dela, ela tinha lá seus 44 anos, mas tinha um ar alegre e divertido e pra falar  a verdade, nem parecia ter essa idade, algumas pessoas davam 30 anos pra ela não é a toa que Gabi era tão linda.
- Então mãe, sabe como que é né?
- Não sei. Me conta...
- As coisas por aqui não andam muito bem não, só teve um  que apareceu no grupo de jovens esses dias.
- Quem? Você conversou com ele? Ele é legal? Usa um perfume bom?
- Perfume mãe?
- É, quando eu comecei a namorar com teu pai ele usava um perfume tão boom.
- Tá mãe, o nome dele é Rafael, se você quiser mais informações pergunte à Larissa, foi ela quem o fisgou primeiro.
- Eu escutei meu nome? – perguntou Lari entrando com o pote de brigadeiro pronto na mão.
- Escutou sim. Eu estou querendo saber mais informações sobre um tal de Rafael. Sabe quem que é?
- É claro que sei dona Jacke. O menino que veio pela primeira vez no último grupo de jovens.
- E você pode me dar algumas informações sobre ele?
- Bem ele é alto, loiro, olhos azuis, simpático, legal, vem do Mato Grosso do Sul também, ah também não sei muitas coisas sobre ele, mas de uma coisa eu sei, vale a pena investir nele.
- Investir, agora você vai abrir uma ação na bolsa de valores: Rafael e vai investir tudo o que você tem nele.
- É, nunca tinha pensado dessa forma mas é de certa forma é isso.
- Cuidado Lari, ás vezes a propaganda da ação pode ser enganosa, ou você pode investir tanto nela e um dia ela vai desvalorizar e pra conseguir tudo o que você investiu de volta pode demorar muito e custar alguns baldes de lágrimas.
- Nossa dona Jacke, também não precisava acabar comigo assim.
- Eu não quero te magoar, mas você é quase uma filha pra mim e se alguma coisa tivesse acontecido com você sem eu avisar, me sentiria culpada.
- tudo bem eu estava só brincando. Obrigada pelo conselho, vou tentar me frear um pouco e ir investindo pouco a pouco nessa ação.
                                                                                                                                        

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Capítulo 3 - Adivinha quem chegou?

Capítulo 3

            - Ai amiga você viu o Rafael? Ele é muito lindoo, e ele sentou do meu lado no filme e a gente conversou, ai ele é muito legal, ele é tudo!
            - Calma aí, respira um pouco, eu percebi que você tinha achado ele bonitinho e que vocês bateram um papo enquanto eles não resolveram o problema do filme, mas eu na sabia que você tinha se impressionado tanto com ele!
            - Não é pra tanto também, mas ele... Ah, eu não sei explicar, é uma coisa meio diferente dos outros meninos que eu gostei.
            - Larissa Mendes você está apaixonada? – perguntou Gabi quase rindo.
            - Não claro que não eu nem conheço ele direito, se bem que...
            - Se bem que o que?
            - Nada Gabi, nada não.
            - Me conta, senão...
            - Senão o quê heim?
            - Senão eu faço isso...

            E jogou uma almofada na amiga, o que não deu outra: começaram uma guerra de travesseiros, ou-almofadas-tanto-faz. Mas tiveram que parar devido a uma pequena interrupção, o bendito telefone!
            - Alô! – Foi Gabriela quem atendeu
            - Boa noite senhorita Gabriela.
            - Mãe?
            - Eu mesma, não posso ligar para minha filha da qual eu to morrendo de saudades?
            - Claro que pode, mãe. Tudo bem com vocês aí?
            - Tudo sim. E você? Está estudando muito? Eu não interrompi você no meio dos estudos né.
            - Não, eu acabei de terminar de estudar. – E Larissa disparou uma gargalhada
            - Dona Jackeline, sua filha é muito estudiosa, ela acaba de terminar um trabalho sobre as aves, mais precisamente sobre as penas das aves. – Gritou Lari ao telefone.
            - E posso saber, o que as penas das aves tem a ver com Botânica, menina?
            - É um assunto meio difícil de explicar...
            - Que nada, eu sei explicar o seu trabalho em três palavras: GUERRA-DE-TRAVESSEIROS. – falou a mãe.
            - Da onde você tirou essa idéia, heim mãe?
            - Eu vou te contar, é da sala toda cheia de penas de ganso espalhadas pelo chão...
            - Como assim? – E nisso a mãe tocou a campainha da casa.
            - Ops. – Falaram as duas amigas juntas.

            -Mãe! O que é que você está fazendo aqui? Você podia ter nos avisado. E se a gente não estivesse em casa? E como você subiu pra cá?
            - Calma aí, até parece que vocês aprontaram, quer dizer, pela aparência desta sala, até daria pra dizer que vocês aprontaram uma, heim?
            - É que, sabe como que é D. Jacke, a gente só estava relembrando os velhos tempos da infância, das festas de pijama e tudo mais.
            - É, mas pra uma festa de pijama ainda falta muito. Cadê as pizzas? Os filmes? O brigadeiro de panela? As revistas de fofoca? Vocês não pensaram em nada mesmo, ainda bem que tem uma mãe aqui que pensou em tudo isso. Ah e eu quase ia me esquecendo, A Lanterna...
            - Mas o que ta acontecendo aqui mãe? Me explica primeiro, o que você está fazendo aqui?
            - Como eu já disse, eu estou com saudades da minha filha.
            - Mas como você foi parar aqui?
            - O tio Marcelo me trouxe.
            - Lá de Campo Grande?
            - Não do Amazonas, claro que é de Campo Grande. – falou Larissa no meio
            - Tá, mas como?
            - O tio Marcelo tinha que reparar uma máquina de um hospital aqui perto e eu perguntei se eu não podia vir junto. Por quê? Você não me quer aqui?
            - Claro que sim, eu to super feliz que você veio, mas são 14 horas de viagem.
            - Eu sobrevivi.
            - Desculpe interromper o interrogatório, mas já que pelo que parece, a gente vai fazer uma festa de pijama mesmo, posso começar a fazer o brigadeiro já? – Perguntou Lari.
            - Pode aqui tá a lata de leite condensado, chocolate em pó vocês tem não é?
            - Sim. – E ela lá foi pra cozinha preparar o brigadeiro deixando mãe e filha conversarem um pouco...

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Capítulo 2 - Church

- Vamos logo Larissa...
- Calma aí, você está sempre tão adiantada e aí vem dizer que sou eu quem está atrasada!
- Lari, são 16: 45 e o grupo começa ás 19:00, e a gente demora 10 minutos pra chegar lá.
- Então, a gente pode sair da que a cinco minutos.
- Você é impossível!

Tá bom, elas chegar poucos minutos atrasadas, mas como estamos no Brasil e as coisas não são lá muito pontuais, elas conseguiram entrar antes de começar. Esse era o grupo de jovens da igreja onde elas participavam. No começo elas ficaram meio tímidas já que vieram de outro estado e eram novas ali, mas conseguiram se enturmar facilmente, graças á habilidade de Larissa de fazer amigos rapidamente; Toda sexta-feira eles se reúnem, para o tamanho da igreja, que não era muito grande, até que vinham bastantes pessoas, geralmente umas 20 a 30. É um tempo bem divertido com um louvor agitado brincadeiras, ás vezes com comida e eu tempo em que podiam aprofundar mais o relacionamento com as pessoas e com Deus. Os líderes, Karine e Felipe, eram amados por todo grupo, sempre tinham idéias criativas pra bagunças e para evangelizações as vezes. Os dois cantavam no louvor e encantavam todos com suas vozes, que não eram nada ruins. Mal começa o culto e as duas amigas já estão cochichando...
- Gabi do céu, quem é aquele gato sentado do lado da Gil?
- Sei lá, deve ser algum visitante.
- Será que eu já conheço ele?
- Se você conhecesse um gato desses, você lembraria quem é.
- Nisso você tem razão amiga. Mas esse rosto me parece familiar...
-Larissa, você não quer ler o texto para nós?
- Errr, desculpa Felipe, eu estava tratando de uns assuntos muuuuito importantes aqui com minha amiga.
- Sei. Alguém se voluntaria para ler o texto em Romanos 12:3?
- Eu leio – falou o visitante
- Isso que é um exemplo, né Lari? Como é seu nome, por favor?
- É Rafael.
- Muito bem vindo então Rafael, você pode ler o texto?
 - “Pois pela graça que me foi dada digo a todos vocês: ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; mas, pelo contrário, tenha um conceito equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu.”
- Obrigado. Então o que vocês podem perceber desse texto?
- Que os romanos se achavam muito! – comentou um jovem.
- Por quê?
-Ué, se Paulo escreve que ninguém deve ter de si mesmo, como é que é mesmo?
- Um conceito mais elevado do que deve ter...
- Isso mesmo, ou seja, eles se achavam e eram metidos a beça.
- Muito bem Pedro, esse é um comentário a ser considerado. Mas é uma pena que ele não possa ser aplicado nos dias de hoje, não é?
- Mas é claro que não, - comentou outra jovem – imagina só, alguém hoje em dia se achar mais importante, bonito, engraçado entre muitas outras coisas.
- A esse ponto eu queria chegar. Sabe aquela pessoa no trânsito, que atravessa o sinal vermelho, ou não respeita algum pedestre que quer atravessar, será que essa pessoa não está tendo um conceito mais elevado de si mesmo do que deveria ter? Alguém pode me dar mais um exemplo?
É claro que o grupo todo começou a conversar, alguns nem conversaram sobre o assunto, aproveitaram para conversar sobre banalidades. Mas Felipe conseguiu catar alguns exemplos que os jovens davam.
- Quando um menino fica com uma menina e dispensa-a por que enjoou dela, ele se achando superior a ela, que ele pode ficar usando ela e largar a hora que quiser.
- Quando alguém pede ajuda para alguma coisa e a pessoa não quer ajudar só por que a pessoa não faz parte do grupo social dele.
- Felipe?
- Sim Juliana?
- Ter um conceito mais elevado dele mesmo não pode ser considerado arrogância?
- Claro que pode muito bem colocado. Eu acho que todo mundo já entendeu o que eu quis dizer, não é? E a segunda parte do versículo. Alguém se lembra do que se tratava?
- Era alguma coisa de ter um conceito equilibrado...
-Isso mesmo Larissa, começou a prestar atenção heim? Será que era o texto que estava interessante ou a pessoa que leu o texto?
Foi isso que bastou pra que todos começassem a rir e a conversar de novo, mas o líder conseguiu recuperar a atenção de todos e continuar a mensagem...

Logo depois de ter acabado, Larissa, Gabi e mais alguns saíram para respirar um pouco de ar no pátio e é claro, conversar. Na verdade isso meio que já virou rotina, quando não estava muito frio é claro, as vezes ficavam até duas horas conversando depois ainda, se Karine e Felipe agüentassem ficar tanto tempo lá, o que geralmente era o caso. Mas desta vez eles tiveram uma idéia de ir assistir um filme e pedir pizza para acompanhar, não é nem duvida que todos aceitaram a idéia. O grupo todo foi a pé, já que a casa deles era a três quarteirões da Igreja. Houve uma pequena discussão sobre que filme iam assistir, os meninos querias filme de ação, as meninas de comédia romântica, e por fim acabaram escolhendo o filme “Desafiando Gigantes”. Foi um pouco complicado fazer todos caberem na sala, que não era lá muito grande, eles se apertaram um pouquinho e acabaram cabendo. Larissa infelizmente teve que se sentar ao lado de Rafael, não é horrível? Na verdade ela até que gostou bastante de ter que ficar uma hora e meia sentada ao lado do gatinho novo da igreja e o pior é que o filme travou e os dois começaram a conversar:
- Da onde você veio? – perguntou Lari
- Você não deve conhecer, é meio longe daqui.
- Eu era uma ótima aluna em geografia, deixa eu ver se eu sei onde fica esse fim de mundo.
            - Na verdade não é fim de mundo, mas sim Mundo Novo.
            - A mas isso é pertinho o bairro Novo Mundo é aqui do lado, quer dizer, de ônibus da uma boa hora, ou um pouquinho mais.
            - Eu sabia que você não sabe onde é eu não vim do Novo Mundo aqui no Paraná, eu vim de Mundo Novo em...
            - Mato Grosso do Sul, perto da fronteira com o Paraná e também quase na divisa com o Paraguai. Ao lado da cidade de Guaíra, onde até faz pouco tempo existiam as sete quedas*, mas eu acho que você também deve saber de tudo isso não é?
            - É claro que sim, mas como você sabe, andou pesquisando o meu histórico na Internet?
- Na verdade sim, gosto de saber se os visitantes não são marginais ou coisa parecida...
- Ah é?
- Aham.
- Então tá. Mas posso saber como você soube que eu ia vir aqui hoje?
- Me desculpe, mas eu não posso revelar as minhas fontes. – e os dois começaram a rir
- Mas falando sério, você deve ser uma aluna muito boa pra saber onde fica a minha cidade.
- Isso ou passar todo ano as férias lá.
- Isso já é uma explicação mais fácil de acreditar. Mas não é meio cansativo viajar umas 10 horas de carro todo ano?
- Na verdade eu morava e Campo Grande, eu só vim pra cá com a Gabi pra estudar.
- Gabi é aquela menina com   quem você estava conversando?
- Isso mesmo.
- É eu imaginei que vocês fossem amigas, não se desgrudam um segundo.
- Não é pra tanto também.
- Eu só tava brincando, mas é bom mesmo ter alguém com quem se pode contar sempre, desde que isso não te impeça de fazer novas amizades.
- Bem pessoal, o Jordan já conseguiu arrumar o DVD aqui – e todo grupo começou a aplaudir ele, como se tivesse ganhado algum prêmio importante – vamos continuar o filme. 

*Sete Quedas, era um parque liiindo em Guaíra mas que foi alagado por causa da usina de Itaipú.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Capítulo 1 - Rotina e Desastre

-Larissa, acorda menina. Vamos você tem que ir pra faculdade. Acorda, por favor. Se você não acordar agora, prometo que vou jogar o rascunho do teu livro no lixo...
-O que foi? Quem que ta lendo um livro no lixo?
Assim começa mais um dia de Larissa e Gabriela, duas amigas inseparáveis desde que se conheceram, tirando aquela vez em que brigaram por causa de uma saia que tinha sumido. Bom, deixa pra lá. Então como estava falando, desde que se conheceram não desgrudavam uma da outra. Quando meninas brincavam com as mesmas bonecas, gostavam das mesmas cores, tinham a mesma comida preferida e havia muitas coisas mais que tinham em comum. Conforme iam crescendo continuavam gostando das mesmas coisas e etc. Quando chegaram ao final do Ensino Médio, continuavam gostando das mesmas coisas, iam à mesma igreja, no mesmo grupo de adolescentes, gostavam até mesmo dos mesmos meninos, mas como não ligavam mesmo para elas, riam da cara deles, ás vezes também aprontavam algumas. Claro que mesmo aprontando, sempre aprontavam juntas. Quando escolheram a faculdade, adivinha só? Será que elas fizeram o mesmo curso? Você disse sim?Está errado. Por incrível que pareça Larissa fez curso de secretariado e Gabriela fez o de botânica. Estranho, não é? É mas a mãe de Gabriela insistiu muito, muito, muito mesmo. Mas, apesar de fazerem cursos diferentes, estudam na mesma faculdade e fazem um curso de gastronomia juntas. Fazer o quê?
Eu acho que já deu pra entender que elas faziam tudo junto e gostavam das mesmas coisas e bem, já que estão fazendo faculdade em Curitiba, na verdade elas vem de ..., elas estão morando juntas em um apartamento alugado, perto da faculdade. Então, voltando pra a manhã de terça-feira, ou será que hoje já é quarta-feira? Bem, tanto faz, elas estão atrasadas do mesmo jeito!
- Gabi, cadê a minha calça Jeans que você usou na semana passada?
- Talvez ela esteja lá onde você deixou a minha blusa que usou na semana retrasada.
- Que blusa?
- Que calça?
- Eu ‘to falando sério onde ta a minha calça?
- Ela ta em cima do balcão, do lado da sua bolsa.
- Muito obrigada, senhorita “emprestaminhascoisasenãodevolve”.
- Muito de nada!
            Mas apesar de serem tão parecidas no gosto, na personalidade não eram tão parecidas, na verdade eram quase que uma o oposto da outra. Larissa era bonita, era alta, tinha cabelo loiro do tipo “menina popular de filmes americanos”. Ela tinha olhos azuis. Ela era muito agitada, faladeira, não parava um minuto quieta. Ela gostava de rir, cantar, inclusive cantava no louvor da igreja, bem, voltando ás características, ela também gostava de passear, principalmente no shopping por hoooras e horas. Já Gabriela...
            - Gabiiii...
            - O que foi?
            - Você já tomou café?
            - Já faz uma era! Vamos logo, a gente chega todo santo dia em cima da hora.
            - Calma menina, nós não vamos chegar atrasadas, pelo que eu sei, nós nunca chegamos depois de o sinal bater!
            - Ai, para de conversar e come logo.
            - Já estou pronta, vamos?
            - Já não era hora.
            Desculpem a interrupção, mas vou eu saber a hora que elas vão conversar? Bem, onde estávamos mesmo? Ah sim, Gabriela... Ela era linda, não que Larissa não fosse ela era bonita, mas não tinha aquela beleza natural que Deus dera a Gabi, que por sorte não precisava nem passar maquiagem. Tinha cabelos castanhos ondulados, olhos esverdeados, ás vezes puxados um pouco para o azul. Ela gostava muito de ler, escrever, tanto é que tinha um diário no qual escrevia todo dia, sem exceção, amava escutar música de vários tipos, mas o estilo preferido era clássico (meio fora de moda, mas acredite ainda tem gente que gosta disso), ela tocava flauta transversal, muito bem por sinal. Ela também amava ir passear, mas em vez de shoppings cheios de gente, preferia um parque tranqüilo.

            Chegaram ao colégio, cada uma foi para o seu prédio. Que tragédia heim? Estudar em prédios diferentes. Como era começo de semestre ainda, acabavam entrando alunos novos nas salas, o que aconteceu com Larissa, e ela não esperou nem a hora do recreio para contar a novidade pra amiga:

            Lari_s2: Gabi, você não sabe o que aconteceu...

Gabi.Flower: O que foi que aconteceu?

Lari_s2: Foi muito vergonhoso, você não vai acreditar...

Gabi.Flower: Conta logo, eu estou nomeio da aula de química e não quero ser pega pelo professor mexendo no celular.

Lari_s2: Tá, então, você sabe que ainda estão entrando alguns alunos novos no colégio né?

Gabi.Flower: Sim e daí?

Lari_s2: Estou eu toda feliz entrando na sala de inglês, que por acaso ninguém merece ter a essa hora da manhã, quando eu esbarro com um menino que eu nunca tinha visto lá, quase tropecei nele e caí no chão. Mas graças a Deus eu consegui salvar minha reputação a tempo, por que imagina o tema das fofocas amanhã ser “Aluno novo derruba menina da sala no chão, e ela se rala toda.”, não daria né?

Gabi.Flower:  Ai como você é exagerada, mas e ele? Era bonitinho pelo menos?

Lari_s2: Essa é a pior parte, ele era muito, mas muito FEIO!!! Coitado, ninguém merece ser tão feio. Ele era ruivo com um monte de sardinhas e era gordinho ainda por cima.

Gabi.Flower:   Meus pêsames então, bye!

Lari_s2: Até o recreio. Encontro-te na biblioteca.

Pois é, deu pra ver que elas não são as alunas mais exemplares, trocando mensagens na aula, mas as notas delas até que eram boas.  E aquele menino então, que azar heim? Vem um aluno novo e as meninas ficam naquela expectativa: “Será que ele é bonito?”, “Tomara que sim, a gente bem que ‘ta precisando de uns gatinhos aqui!”, “É né, por que o negócio aqui tá feio, nenhum piá descentemente bonito pra gente ficar comentando na aula.” E assim por diante iam os comentários, mas no final: uma bela de uma decepção, ou melhor, uma decepção beeeem feia. Desculpem não se pode dizer isso de alguém, vamos apenas dizer que ele era desprovido de beleza. Mas vamos ver no que isso vai dar...
Continuando ao dia de aula, que por sinal não está indo muito bem, Larissa ainda teve que se sentar atrás de quem? Isso mesmo, atrás do aluno novo!
- Vamos ficar quieto, por favor. – A professora tentava acalmar a turma, mas vocês sabem às vezes essa tarefa pode ser um pouquinho difícil – já que ninguém vai prestar atenção mesmo, vou começar a aula.
- Err, professora...
- O que foi Michelle?
- É que tem um aluno novo na sala e q gente queria saber o nome dele.
- Ahh, então se apresente, por favor, Sr. ...
- Matheus é meu nome, desde que eu nasci.
- E antes era como? – perguntou Vitor, que fazia o papel do engraçadinho da turma, às vezes nem tanto, mas vamos deixar isso pra lá.
- Antes era embrião mesmo, depois mudou para feto... E aí minha mãe começou a pensar em nomes: “Lucas não, eles são muito bagunceiros, Leonardo é meio comum, Vítor, não, é muito feio, comum e ninguém ia querer namorar com ele, imagina só a menina apresentando o namorado: ’Esse é o Vítor’, que horror.” Aí ela pensou em Matheus: “ Perfeito!” – E a turma toda disparou uma gargalhada só!
- Ah fala sério. – retrucou Vítor.

È claro que depois disso a professora custou mais alguuuns minutos para finalmente acalmar a turma e poder começar a aula.
            No recreio as duas amigas se encontraram, e é claro que Lari não podia deixar de comentar esse episódio, mas faladeira do jeito que é, acabou falando um pouco alto demais e as duas levaram uma bronca da bibliotecária. O que para falar a verdade, vai acontecer muitas vezes ainda...